Entrevista com Tânia Dias

Ora cá vai uma novidade aqui para o blog, a primeira entrevista a uma autora 🙂 Já a referi num post anterior (aqui), pondo o livro dela na minha wishlist e também aproveito para dizer que já o comprei e vou começar a lê-lo e breve.

Podem comprar o livro ou ebook na Wook ou diretamente na editora Chiado.

Tânia Dias - Broken DespedaçadaTítulo: Despedaçada (Broken #1)

Autor: Tânia Dias

Editora: Chiado Editora

Páginas: 422

Género: Fantasy

Sinopse: Assumir o seu papel como líder não estava nos planos de Alexia White, mas quando a sua mãe perde a vida num terrível assalto ao castelo, ela vê-se sem opções.
Num mundo onde os fracos se distinguem dos fortes pelos dons que possuem, Alexia está no topo da lista e precisa de aprender a lidar com os seus dons se pretende recuperar Starnyz das garras do traidor. Ian Bealfire, um homem que exala arrogância e prepotência por todos os poros, parece disposto a ocupar o lugar de seu Mestre.
Há quem diga que a jovem está destinada a salvar o mundo mas despedaçada pelas perdas que sofreu e assombrada pelas memórias do passado, será mesmo capaz de o fazer, quando nem a si parece ser capaz salvar?

Esta jovem autora diz-nos no seu perfil no Goodreads que é uma rapariga de 17 anos com uma paixão enorme por livros que viveu mais aventuras do que aquelas que consegue contar. Já se apaixonou por um vampiro, caçou sombras e lutou numa arena juntamente com outros 23 tributos, viveu numa sociedade dividida em fações e ficou perdida num labirinto, tendo sido salva por um anjo.
A sua paixão por escrita começou há alguns anos atrás quando os mundos que existiam na sua cabeça quiseram saltar para fora.
Teve a sorte de realizar um dos seus maiores sonhos e tornar-se uma autora com Despedaça (Broken) a sua primeira obra publicada.

Ela disponibilizou-se para responder a algumas perguntas e eu agradeço-lhe imenso por isso. Andei a pensar em várias questões e pesquisei mais algumas pela internet e juntei tudo. Podem dar uma olhadela à entrevista em baixo.

  1. Como percebeu que o seu destino era ser escritora e o que/quem a influenciou? 

Ainda não tenho a certeza se o meu destino é ser escritora, para ser sincera! Acontece que sempre fui alguém muito criativo e quando percebi que a escrita era um bom lugar para silenciar um pouco o meu cérebro, segui naturalmente esse percurso. Quanto às influências, acho que posso apontar todos os livros que li até ao momento em peguei pela primeira vez numa caneta, aqueles que li já depois de começar, porque todos eles me fascinaram e aumentaram o meu desejo de ser capaz de mostrar ao público as histórias fantástica que vivem na minha cabeça.

  1. Porque é que gosta de escrever? 

Eu adoro escrever porque é algo natural, é algo que me permite sair deste mundo, deixar os meus problemas, o meu stress, a minha vida mundana para trás e mergulhar em mundos que nunca ninguém pensou que pudessem existir. Quando eu estou irritada ou quando o dia me está a correr muito mal, a melhor coisa do mundo é pegar numa caneta – ou lápis – num pedaço de papel e simplesmente deslizar para a pele de outras personagens, personagens que eu conheço intrinsecamente, porque são minhas; e depois, como por magia, já não há nada neste mundo que me esteja a incomodar, tudo isso ficou no papel.

  1. Em que altura do dia costuma escrever mais? 

Há noite definitivamente. Sou uma pessoa que gosta de escrever no silêncio e sem ninguém à minha volta que esteja a ver o que estou a fazer. Despedaçada é, em muitos dos seus capítulos, uma sucessão de várias noites acordada até às 4h da manhã, porque simplesmente não conseguia deixar de escrever aquela ideia e depois havia mais uma e porque parar por aí quando ainda há tanto mais que posso dizer?

Contudo, no período escolar a minha altura favorita para escrever é quando não posso. A meio de uma aula em que estou a dar uma matéria importante ou a meio de uma aula que não é dado nada de interessante ou simplesmente a meio de uma aula num dia em que o mundo parece estar inclinado para me tirar fora do sério.

  1. Quando está na fase de escrever um livro costuma partilhar a história com alguém para ter opiniões?

Sim! Mais do que devia às vezes! Eu tenho uma amiga a quem chamo a ‘’minha menina dos spoilers’’ que é basicamente a pessoa que sabe tudo aquilo que eu planeio fazer desde do início do livro, ela, como leitora, dá-me a sua opinião e faz uma ou outra sugestão que muitas vezes ajudam a que a minha mente faça ligações que ainda não tinha pensado.

É extramente útil, porque sendo uma fangirl a todos os níveis, eu não aguento não falar com alguém sobre algo que me deixa muito entusiasmada, como acontece quando estou a meio de um livro. Depois, como a insegurança é um dos meus grandes defeitos, também ajuda bastante ter alguém que nos diga ‘’Cala-te e escreve que a ideia é boa’’.

  1. Como é que passa todas as ideias que tem para a história final?

Ai! É suposto eu saber isso?! Eu não sei! Acho que é deixando-me deslizar para a pele das personagens. Costumo dizer, e as pessoas acham-me meio louca por isso, que depois de criar as minhas personagens elas é que decidem o rumo da história, eu estou apenas lá para relatar os acontecimentos e, ocasionalmente, atirar um, ou dois, ou quinhentos, obstáculos para o caminho; logo, desde que deixe as personagens fazerem o que elas querem, não é complicado chegar àquilo que tinha planeado inicialmente.

  1. De que forma a sua vida se alterou quando começou a escrever?

Hum…Fiquei uma pessoa muito mais concentrada para começar, como foquei a minha parte criativa numa tarefa, deixei a cabeça livre para se focar em tudo o resto. Também aprendi a dar muito mais valor áquilo que é português, porque acho que antes não tinha a noção do quão discriminatórios nós, os portugueses, somos para com as coisas que são feitas pelo nosso povo.

  1. De onde surgem as ideias para as suas personagens? São inspiradas em pessoas reais ou são fruto da sua imaginação? 

Fisicamente, elas costumam ser a combinação de traços físicos que eu gosto. A Alexia, por exemplo, é ruiva, eu adoro cabelos ruivos, e tem olhos verdes que são a cor que eu acho mais bonita. Psicologicamente, não acho que me inspire em alguém para atribuir os traços às personagens, elas formam-se, basicamente, sozinhas, mas inspiro-me nas pessoas que me rodeiam para entender como retratar esses traços ou emoções.

Quão mais próximo o escritor estiver de retratar a realidade sem que os leitores o entendam, melhor ele está a fazer o seu trabalho – na minha opinião.

  1. Que género de escritores e livros a influenciam? 

Fantasia sempre foi o género que eu mais gosto, já que o meu intuito em ler sempre foi escapar do nosso mundo e ir para outro em que aquilo que me incomoda neste é tão insignificante que deixa de me chatear. Contudo, os futuros distópicos e a própria ficção científica estão num segundo lugar renhido.

  1. O que mais gosta nas suas próprias histórias e personagens? 

Provavelmente o facto de estarem tão longe de nós, isto é, as minhas personagens são seres que conseguem controlar os elementos, mexer continentes e as marés, estão num mundo que em nada se assemelha ao nosso e, no entanto, chamam-nos à atenção para problemas que estão muito próximos dos nossos corações; ao mesmo tempo ensinam-nos lições valiosas e sem que demos conta tornamo-nos seres humanos um pouco melhores.

Nas histórias…eu pessoalmente gosto da fantasia, da magia, do mistério que as envolve e me amarra na busca pela sua conclusão, tornando quase fácil todo o processo de escrita.

  • O que é que sentiu quando soube que o seu livro ia ser publicado? 

Primeiro choque. Eu li o e-mail no telemóvel, pouco depois de acordar, e fiquei longos minutos a olhar para o ecrã a tentar com que as palavras fizessem sentido na minha cabeça. De seguida vieram as lágrimas. COMO ASSIM VOCÊS QUEREM PUBLICAR O LIVRO? Depois eu euforia. EU RECEBI UM SIM! O LIVRO É MESMO BOM! ALGUÉM DISSE QUE SIM! DEUSES! E por fim o receio, tinha apenas 17 anos, ainda não mandava em mim, era um passo gigantesco a dar, os meus pais não tinha noção de que eu tinha escrito um livro, quanto mais que alguém o queria publicar, e eu não sabia bem o que fazer. Falar com eles? Mostrar-lhes o e-mail e explicar-lhes a situação. Fingir que nada aconteceu? Agradecer o voto de confiança mas recusar.

Foram tudo pensamentos que me passaram pela cabeça. Felizmente, no final ganhei juízo, falei com a minha família e nós decidimos, em conjunto, o que era melhor.

  1. Qual a sensação de ver o seu livro à venda?

Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de o ver fisicamente à venda, já que vivemos num país que não aceita o talento do povo português como algo em que vale apena apostar. Contudo, ver as pessoas com ele nas mãos, a virem falar comigo e a fazerem-me perguntas sobre a história ou sobre a possibilidade de um segundo livro, deixa-me sempre nas nuvens.

  1. Já alguma vez se deparou com alguém a ler o seu livro, por exemplo na praia ou nos transportes públicos? 

Só uma colega de turma na escola! Mas acho que isso não conta porque ela nunca chegaria à minha beira ‘’oh meus deuses, és a autora de Despedaçada? Aquele livro é h-o-r-r-í-v-e-l’’. No entanto, foi uma boa sensação ver aquilo porque tanto trabalhei para que acontecesse, na escola e nas mãos de alguém que gosta de ler.

  1. O primeiro livro da série Broken saiu este ano, para quando está previsto o próximo? Quantos livros terá esta série?

Eu pretendo que Broken seja uma trilogia que tem Despedaçada como o primeiro livro. E, que no final, haja um livro de contos com episódios da vida da personagem favorita dos meus leitores.

O segundo livro, estou de momento a finaliza-lo, contudo não sei se a publicação está para perto.

  1. Já começou a imaginar o próximo livro?

Fora do universo de Broken? Já tenho mais uma dúzia de ideias! Umas para livros de fantasia, outras para futuros distópicos e alguns de ficção científica. Contudo, para já, ficam todos em pause porque pegar noutro projeto significava encostar Broken e, mesmo que não houvessem leitores – que há, felizmente, por isso não faltarei à palavra que dei, de terminar esta jornada -, já vim demasiado longe para parar agora! É um dos típicos casos de ‘’agora não há volta a dar’’. Por isso, limito-me a deixar as ideias na secretária, para quando houver tempo para pegar nelas!

Espero que tenham gostado e se tiverem alguma questão para a autora podem deixar nos comentários.

Em breve vou falar sobre o livro porque eu ando com uma vontade enorme de o ler 🙂

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One thought on “Entrevista com Tânia Dias

  1. Pingback: Feira do Livro do Porto 2016 | Anita Days

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